Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
(Álvaro de Campos - Tabacaria)
quinta-feira, 19 de junho de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
pontos de interrogação
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
(Álvaro de Campos/Tabacaria)
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?
(Paulinho Moska/A seta e o alvo)
Diariamente, incesantemente, travo verdadeiros diálogos comigo mesma. Seria isto normal? Seria eu uma pessoa normal?
O que é ser uma pessoa normal? Quais são os atributos que definem esse tipo de pessoa? Afinal de contas, pessoas normais existem?
Olhando o dicionário Aurélio podemos achar:
Normal. [Do lat. normale] Adj. 2 g. 1. Que é segundo a norma. 2. Habitual, natural.
O que nos remete a
Norma. [Do lat. norma] S.f. 1. Aquilo que se estabelece como base ou medida para a realização ou a avaliação de alguma coisa [...]. 2. Princípio, preceito, regra, lei [...]. 3. Modelo, padrão.
Ou ainda a
Habitual [Do lat. med. habituale] Adj. 2. g. 1. Que se faz, ou que sucede, por hábito. 2. Comum, vulgar. 3. Freqüente, usual.
Não sei como funciona a cabeça das outras pessoas. Só sei que comigo é assim: sempre pensando... Dentro do normal ou não, o fato é que a situação piora nos períodos que circundam a data do meu nascimento. Daqui algumas semanas completo mais um ano desde que cheguei a este mundo. Não me incomoda o fato de ficar mais velha. O processo de envelhecimento em si é interessante (ainda que o tic-tac do relógio me intimide algumas vezes!). O que ocupa grande parte dos meus dias é me perder em pensamentos intermináveis sobre todos esses anos e tentar responder questões que podem se resumir num simples “quem sou eu?”. Bem, não tão simples assim. Poderia, de uma forma sucinta e superficial, dizer: brasileira, natural de Brasília, nascida em 1980, filha de uma paulistana e de um carioca, teve uma infância feliz, uma adolescência nada rebelde, e ainda vive seus 20 e poucos anos cercada por interrogações. A idéia de tudo isso me define em parte, é verdade. Serve como mote para uma longa conversa.
Agrega-se a esse breve início o que é dito sobre as pessoas nascidas sob o signo de Câncer. Não sou uma crente incondicional das forças dos Astros. Entretanto não posso negar uma coincidência intrigante entre os elementos que caracterizam os cancerianos de um modo geral e minha personalidade. As estrelas revelam que aqueles nascidos entre 22/junho e 22/julho são sensíveis, sentimentais, sensatos, solícitos e vivem em busca do tempo perdido, sempre saudosos de um tempo passado, conservadores, refratários a mudanças, prezam pela segurança e mudam de humor como quem muda de roupa. De fato tudo isso também me compõe. Choro assistindo comercial na televisão, não suporto uma voz mais áspera, estou sempre pronta para escutar os problemas dos outros, tenho o meu conservadorismo, mudar é como um parto, o passado me visita quase diariamente – seja para me alimentar com uma saudade saudável, seja para me atormentar com possibilidades perdidas quando um “sim” deveria ter sido um “não” ou vice-versa –, posso acordar sob um céu ensolarado, amando tudo e todos ao meu redor, distribuindo risos de bom humor, e terminar o dia sob um céu acinzentado, odiando tudo e todos, recolhida a mim mesma.
Sou os livros que leio, as músicas que escuto, os filmes que assisto, sejam bons ou ruins, tudo convergindo para a construção do meu mundo e da minha visão sobre o nosso Mundo. Sou os amigos de ontem que passaram pela minha vida e sou aqueles de agora que nela estão, sou meu pai, sou minha mãe, sou meu irmão, sou minha tia-mãe, sou minha beagle e as que a antecederam, sou meus professores, sou meus antepassados brasileiros, africanos, europeus e japoneses ou qualquer um outro que eu desconheça, sou a crença que não é mais, sou a amálgama de tudo isso e um pouco além, sou um poço de contradições, sou alguém que está sendo e que se encanta e se perde na incógnita chamada vida.
Sinto vontade de abraçar o mundo (há tanto para ser explorado, descoberto, experimentado!) e ao mesmo tempo sinto-me frustrada por não conseguir fazê-lo (pelo menos não na velocidade que gostaria!). Sinto-me nada diante de tantas perguntas num caminho sem rumo. Para onde irei? Quais escolhas a serem feitas? (A idéia do que não quero ser se apresenta mais nítida para mim do que aquela que ilustra o contrário.) Perco-me nessas interrogações, sofrendo por antecipação, ansiedade que não se afasta de mim.
E de repente todas essas perguntas perdem o porquê de existir (se é que possuem sentido) e tornam-se insignificantes (se é que possuem significância alguma) diante de tantos eventos terrenos e espaciais ocorrendo simultaneamente. Quem sou eu? Sim, única dentre bilhões, mas também apenas uma dentre esses bilhões.
Olho-me no espelho e vejo uma pessoa. Confusa? Definitivamente. Normal? Não sei. Talvez. (Adequar-se ao padrão me parece monótono.) E ao final do dia fico feliz em acreditar que há perguntas que são feitas para não serem respondidas, mas constituem a razão de uma infindável busca. Provavelmente reside aí grande parte da graça da vida.
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
(Álvaro de Campos/Tabacaria)
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?
(Paulinho Moska/A seta e o alvo)
Diariamente, incesantemente, travo verdadeiros diálogos comigo mesma. Seria isto normal? Seria eu uma pessoa normal?
O que é ser uma pessoa normal? Quais são os atributos que definem esse tipo de pessoa? Afinal de contas, pessoas normais existem?
Olhando o dicionário Aurélio podemos achar:
Normal. [Do lat. normale] Adj. 2 g. 1. Que é segundo a norma. 2. Habitual, natural.
O que nos remete a
Norma. [Do lat. norma] S.f. 1. Aquilo que se estabelece como base ou medida para a realização ou a avaliação de alguma coisa [...]. 2. Princípio, preceito, regra, lei [...]. 3. Modelo, padrão.
Ou ainda a
Habitual [Do lat. med. habituale] Adj. 2. g. 1. Que se faz, ou que sucede, por hábito. 2. Comum, vulgar. 3. Freqüente, usual.
Não sei como funciona a cabeça das outras pessoas. Só sei que comigo é assim: sempre pensando... Dentro do normal ou não, o fato é que a situação piora nos períodos que circundam a data do meu nascimento. Daqui algumas semanas completo mais um ano desde que cheguei a este mundo. Não me incomoda o fato de ficar mais velha. O processo de envelhecimento em si é interessante (ainda que o tic-tac do relógio me intimide algumas vezes!). O que ocupa grande parte dos meus dias é me perder em pensamentos intermináveis sobre todos esses anos e tentar responder questões que podem se resumir num simples “quem sou eu?”. Bem, não tão simples assim. Poderia, de uma forma sucinta e superficial, dizer: brasileira, natural de Brasília, nascida em 1980, filha de uma paulistana e de um carioca, teve uma infância feliz, uma adolescência nada rebelde, e ainda vive seus 20 e poucos anos cercada por interrogações. A idéia de tudo isso me define em parte, é verdade. Serve como mote para uma longa conversa.
Agrega-se a esse breve início o que é dito sobre as pessoas nascidas sob o signo de Câncer. Não sou uma crente incondicional das forças dos Astros. Entretanto não posso negar uma coincidência intrigante entre os elementos que caracterizam os cancerianos de um modo geral e minha personalidade. As estrelas revelam que aqueles nascidos entre 22/junho e 22/julho são sensíveis, sentimentais, sensatos, solícitos e vivem em busca do tempo perdido, sempre saudosos de um tempo passado, conservadores, refratários a mudanças, prezam pela segurança e mudam de humor como quem muda de roupa. De fato tudo isso também me compõe. Choro assistindo comercial na televisão, não suporto uma voz mais áspera, estou sempre pronta para escutar os problemas dos outros, tenho o meu conservadorismo, mudar é como um parto, o passado me visita quase diariamente – seja para me alimentar com uma saudade saudável, seja para me atormentar com possibilidades perdidas quando um “sim” deveria ter sido um “não” ou vice-versa –, posso acordar sob um céu ensolarado, amando tudo e todos ao meu redor, distribuindo risos de bom humor, e terminar o dia sob um céu acinzentado, odiando tudo e todos, recolhida a mim mesma.
Sou os livros que leio, as músicas que escuto, os filmes que assisto, sejam bons ou ruins, tudo convergindo para a construção do meu mundo e da minha visão sobre o nosso Mundo. Sou os amigos de ontem que passaram pela minha vida e sou aqueles de agora que nela estão, sou meu pai, sou minha mãe, sou meu irmão, sou minha tia-mãe, sou minha beagle e as que a antecederam, sou meus professores, sou meus antepassados brasileiros, africanos, europeus e japoneses ou qualquer um outro que eu desconheça, sou a crença que não é mais, sou a amálgama de tudo isso e um pouco além, sou um poço de contradições, sou alguém que está sendo e que se encanta e se perde na incógnita chamada vida.
Sinto vontade de abraçar o mundo (há tanto para ser explorado, descoberto, experimentado!) e ao mesmo tempo sinto-me frustrada por não conseguir fazê-lo (pelo menos não na velocidade que gostaria!). Sinto-me nada diante de tantas perguntas num caminho sem rumo. Para onde irei? Quais escolhas a serem feitas? (A idéia do que não quero ser se apresenta mais nítida para mim do que aquela que ilustra o contrário.) Perco-me nessas interrogações, sofrendo por antecipação, ansiedade que não se afasta de mim.
E de repente todas essas perguntas perdem o porquê de existir (se é que possuem sentido) e tornam-se insignificantes (se é que possuem significância alguma) diante de tantos eventos terrenos e espaciais ocorrendo simultaneamente. Quem sou eu? Sim, única dentre bilhões, mas também apenas uma dentre esses bilhões.
Olho-me no espelho e vejo uma pessoa. Confusa? Definitivamente. Normal? Não sei. Talvez. (Adequar-se ao padrão me parece monótono.) E ao final do dia fico feliz em acreditar que há perguntas que são feitas para não serem respondidas, mas constituem a razão de uma infindável busca. Provavelmente reside aí grande parte da graça da vida.
sábado, 3 de maio de 2008
quinta-feira, 1 de maio de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Pra não dizer que não postei
Diante da correria do mundo e da vida, paro para apreciar um vídeo simples sem grandes pretensões ou poder de mudança. Apenas pelo prazer de ver e ouvir jovens cantando Care of Cell 45 de The Zombies e Starman de David Bowie pelas ruas de Paris (segundo o próprio vídeo). Uma delícia!
sábado, 12 de abril de 2008
Às vezes demoramos a perceber a necessidade de nos desgarrar de determinada situação que julgamos ser a melhor que poderíamos viver. E, achando que não podemos viver de outro modo, não só lamentamos o seu fim como nos vemos incapazes de seguir em frente. E dar o primeiro passo para a mudança pode parecer ser impossível, mesmo que dependa apenas de nós mesmos. Mas quando nos permitimos mudar, quando partimos em direção a outros rumos, há uma agradável possibilidade de, num processo de auto-conhecimento, depararmos com um mundo novo que surge a partir de nós mesmos e se desvela à nossa frente – ainda que o ambiente externo faça sua parte. Não é fantástico podermos, pelo incessante movimento destruição-construção-destruição-construção, nos tornar pessoas melhores ao longo da nossa caminhada?
Wong Kar-Wai me fez pensar nisso tudo com seu My Blueberry Nights, ou Um Beijo Roubado, que estreou na última sexta-feira nos cinemas. Estréia do cineasta chinês no cinema norte-americano, estréia da jazzista Norah Jonas como atriz, o filme encanta pela simplicidade, pela bela fotografia, pelos inusitados planos, por suas cores, pela delicada trilha sonora, pelos deliciosos diálogos... e, claro, por um Jude Law mais lindo do que nunca.
Wong Kar-Wai me fez pensar nisso tudo com seu My Blueberry Nights, ou Um Beijo Roubado, que estreou na última sexta-feira nos cinemas. Estréia do cineasta chinês no cinema norte-americano, estréia da jazzista Norah Jonas como atriz, o filme encanta pela simplicidade, pela bela fotografia, pelos inusitados planos, por suas cores, pela delicada trilha sonora, pelos deliciosos diálogos... e, claro, por um Jude Law mais lindo do que nunca.
Monty Python - the best nonsense
Uma das melhores cenas de "Monty Python and the Holy Grail"... Bruxas, assim como as madeiras, são queimadas na fogueira. Então bruxa = madeira. Se são feitas de madeira, devem boiar na água. Se bóiam na água, têm o mesmo peso de um pato, que também "bóia". Então claro que ela é bruxa por ter o mesmo peso do pato, boiar e, conseqüentemente, ser de madeira... isso é tão óbvio, não? hehehe...
segunda-feira, 31 de março de 2008
...
Tento agarrar-me aos detalhes capazes (penso!) de responder os porquês. E assim sigo solta na negritude infinita pontilhada com estrelas que já foram ou deixarão de ser.
Será que sou? Definitivamente, estou.
Será que sou? Definitivamente, estou.
domingo, 30 de março de 2008
O princípio do fim
Wakey wakey
rise and shine
it's on again, off again, on again
watch me fall
like dominos
in pretty patterns
fingers in the blackbird pie
I'm tingling, tingling, tingling
it's what you feel now
what you ought to, what you ought to
reasonable and sensible
dead from the neck up
because I'm stuffed, stuffed, stuffed
we thought you had it in you
but no, no, no
for no real reason
Squeeze the tubes and empty bottles
and take a bow, take a bow, take a bow
it's what you feel now
what you ought to, what you ought to
the elephant that's in the room is
tumbling, tumbling, tumbling
in duplicate and triplicate and
plastic bags and
duplicate and triplicate
dead from the neck up
I guess I'm stuffed, stuffed, stuffed
we thought you had it in you
but no, no, no
exactly where do you get off
is enough, is enough
I love you but enough is enough, enough
a last stop
there's no real reason
You've got a head full of feathers
you got melted to butter
(Faust Arp - Radiohead)
domingo, 23 de março de 2008
Da janela do meu quarto
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
(Álvaro de Campos, Tabacaria)
Assinar:
Postagens (Atom)