Diante da correria do mundo e da vida, paro para apreciar um vídeo simples sem grandes pretensões ou poder de mudança. Apenas pelo prazer de ver e ouvir jovens cantando Care of Cell 45 de The Zombies e Starman de David Bowie pelas ruas de Paris (segundo o próprio vídeo). Uma delícia!
quarta-feira, 23 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
Às vezes demoramos a perceber a necessidade de nos desgarrar de determinada situação que julgamos ser a melhor que poderíamos viver. E, achando que não podemos viver de outro modo, não só lamentamos o seu fim como nos vemos incapazes de seguir em frente. E dar o primeiro passo para a mudança pode parecer ser impossível, mesmo que dependa apenas de nós mesmos. Mas quando nos permitimos mudar, quando partimos em direção a outros rumos, há uma agradável possibilidade de, num processo de auto-conhecimento, depararmos com um mundo novo que surge a partir de nós mesmos e se desvela à nossa frente – ainda que o ambiente externo faça sua parte. Não é fantástico podermos, pelo incessante movimento destruição-construção-destruição-construção, nos tornar pessoas melhores ao longo da nossa caminhada?
Wong Kar-Wai me fez pensar nisso tudo com seu My Blueberry Nights, ou Um Beijo Roubado, que estreou na última sexta-feira nos cinemas. Estréia do cineasta chinês no cinema norte-americano, estréia da jazzista Norah Jonas como atriz, o filme encanta pela simplicidade, pela bela fotografia, pelos inusitados planos, por suas cores, pela delicada trilha sonora, pelos deliciosos diálogos... e, claro, por um Jude Law mais lindo do que nunca.
Wong Kar-Wai me fez pensar nisso tudo com seu My Blueberry Nights, ou Um Beijo Roubado, que estreou na última sexta-feira nos cinemas. Estréia do cineasta chinês no cinema norte-americano, estréia da jazzista Norah Jonas como atriz, o filme encanta pela simplicidade, pela bela fotografia, pelos inusitados planos, por suas cores, pela delicada trilha sonora, pelos deliciosos diálogos... e, claro, por um Jude Law mais lindo do que nunca.
Monty Python - the best nonsense
Uma das melhores cenas de "Monty Python and the Holy Grail"... Bruxas, assim como as madeiras, são queimadas na fogueira. Então bruxa = madeira. Se são feitas de madeira, devem boiar na água. Se bóiam na água, têm o mesmo peso de um pato, que também "bóia". Então claro que ela é bruxa por ter o mesmo peso do pato, boiar e, conseqüentemente, ser de madeira... isso é tão óbvio, não? hehehe...
segunda-feira, 31 de março de 2008
...
Tento agarrar-me aos detalhes capazes (penso!) de responder os porquês. E assim sigo solta na negritude infinita pontilhada com estrelas que já foram ou deixarão de ser.
Será que sou? Definitivamente, estou.
Será que sou? Definitivamente, estou.
domingo, 30 de março de 2008
O princípio do fim
Wakey wakey
rise and shine
it's on again, off again, on again
watch me fall
like dominos
in pretty patterns
fingers in the blackbird pie
I'm tingling, tingling, tingling
it's what you feel now
what you ought to, what you ought to
reasonable and sensible
dead from the neck up
because I'm stuffed, stuffed, stuffed
we thought you had it in you
but no, no, no
for no real reason
Squeeze the tubes and empty bottles
and take a bow, take a bow, take a bow
it's what you feel now
what you ought to, what you ought to
the elephant that's in the room is
tumbling, tumbling, tumbling
in duplicate and triplicate and
plastic bags and
duplicate and triplicate
dead from the neck up
I guess I'm stuffed, stuffed, stuffed
we thought you had it in you
but no, no, no
exactly where do you get off
is enough, is enough
I love you but enough is enough, enough
a last stop
there's no real reason
You've got a head full of feathers
you got melted to butter
(Faust Arp - Radiohead)
domingo, 23 de março de 2008
Da janela do meu quarto
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
(Álvaro de Campos, Tabacaria)
sábado, 22 de março de 2008
Desencontros lingüísticos
Desencontro lingüístico I (versão franco-alemã)
– Ich liebe Dich!
– Je ne t’aime pas encore.
– Du bist das Licht meines Lebens!
– "Nous" n’exist pas encore.
– Sei du meine Eherfrau!
– Demain je partirai.
xxx
Desencontro lingüístico II (versão anglo-portuguesa)
– I love you!
– Eu não te amo mais.
– You’re the light of my life!
– “Nós” não existe mais.
– Be my wife!
– Amanhã estou indo embora.
– Ich liebe Dich!
– Je ne t’aime pas encore.
– Du bist das Licht meines Lebens!
– "Nous" n’exist pas encore.
– Sei du meine Eherfrau!
– Demain je partirai.
xxx
Desencontro lingüístico II (versão anglo-portuguesa)
– I love you!
– Eu não te amo mais.
– You’re the light of my life!
– “Nós” não existe mais.
– Be my wife!
– Amanhã estou indo embora.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Segredos
Ela abriu os olhos. O silêncio estava por toda parte. Apenas um pequeno relance de luz matinal insistia em querer transbordar para além da janela cortinada. Mais um dia, pensou. Seus olhos percorreram seu redor sem que o corpo os acompanhasse. Até que encontraram um homem que dormia pacificamente ao seu lado. Quantos dias, pensou. Um homem com quem dividira tantas luas e tantos sóis. Poderia dizer que o conhecia minuciosamente e, no entanto, sabia que seria capaz de se perder num labirinto infinito de possibilidades que habitavam aquele ser finito. Possibilidades essas que nunca chegariam à superfície, permaneceriam recônditas numa imensa escuridão. Preparou-se para levantar, mas o peso de toda uma vida não o permitiu. De repente uma lembrança perdida na infância veio à tona e de tão nítida a fez crer em viagens no tempo. Lembrou-se de quando, subindo numa árvore, no sítio de seus avós, apanhava jaboticaba. Como tudo àquela época era simples, lembrou. E naquele quarto agora estava. Sentia-se esposa, sentia-se mãe, sentia-se avó e tudo isso o era. E talvez quisesse que não fosse nada disso. Casou-se ainda menina, sem muita escolha, sem muito amor. Porque no tempo de sua juventude se casava. Era o costume. É para sua segurança, dizia sua mãe. E assim se uniu a um homem do qual pouco conhecia. Sabia apenas que trabalhava com números e nutria um sentimento especial por gravatas. Presa à sua rotina, por vezes tentava imaginar como estaria vivendo seu eu que tomou um outro caminho. Quais seriam seus sonhos, seus anseios, suas desilusões. Seria feliz? Meus filhos são saudáveis, agradeceu, e voltou a coser os shorts de brincar das crianças. Os anos passaram num ritmo lento e ali agora estava, deitada na cama. Conseguiu se levantar e já no banheiro, diante do espelho, viu alguém que não reconhecia. De repente sentiu doer uma dor intensa e singelas lágrimas irromperam sem pedir licença. Saudade do que poderia ter sido e não foi, e ainda assim talvez não quisesse que o fosse. Simplesmente uma curiosidade de querer saber como tudo poderia ter sido diferente. Teria sido feliz? Mas não seria felicidade ter filhos e netos saudáveis, questionou a si mesma. Recompôs-se. Este será mais um dia. Um pouco além de um dia apenas. Completa bodas. Será parabenizada, ganhará presentes, abraços e beijos. No final do dia continuarão desconhecendo seus segredos.
quinta-feira, 20 de março de 2008
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